27.7.08

Domingo

Dias novos são iguais a todos outros
Respondo enquanto você ri
Não fica esperando alguma coisa acontecer
Pra quê mentir?
Não gosto desse jogo
Ok, se você já ganhou, então podemos parar?
Você me diz que gosto mais de dormir que conversar
Na verdade uma coisa leva a outra

Enquanto não começa outro passatempo
Sento aqui prá ver tudo acabar
Parece fácil
E de repente eu me distraio

São nem sempre pensamentos bons
Mas sempre inoportunos
Se pra tudo existe hora e lugar
Se daqui eu não sou
Que horas são por favor?

Passo a achar que alguma coisa já passou
Enquanto esperava que algo fosse acontecer
Quero entender como é que isso aconteceu
Estive preocupado em ver tudo que passa
Mas meu raciocínio é lento e acredito
Que hoje aquela coisa que me faz acreditar
Dobrou a esquina enquanto eu jogava
Ou pintou o muro da sua casa só pra disfarçar

Dias novos são iguais a todos outros
Ouço alguém gritar
Enquanto eu abro os olhos
Ou antes de eu acordar
Na verdade uma coisa levou a outra

Não tem importância prá mim
Você parece gostar
Então minha parte é sua
Sei como te fazer feliz
E juro que não ligo
Tira uma cópia da chave pra mim
Que eu dou dois toques antes de entrar
Aqui em casa é como lá fora
Estranho e pequeno demais
Mas é meu esconderijo

17.7.08

Poesia, drogas e intolerância.

Pensar. Fazer. Criar.
Poesia, loucura e, então, diagnosticar:
Desvalido o relicário.
Fatores ilusórios alteram os condutores.

O idiomatismo e seu caradurismo selvático,
Até, profanamente, assintomático.
Dogmatismo estupendo.
Ateu, adepto da profanação.

Pensar. Fazer. Criar.
Julgar de embuste para, então, furtar.
- Venha!
Tenho casamata invencível. Pode atirar.

Transcender as regras e financiar.
Credor, do amor e da guerra,
Sem pudor irei cobrar.

Adeuses, prófugo, irão te enterrar.
Lanço meus sortilégios e tua crença irá
Ao profundo lago ilusório da discriminação,
Do ódio e da moral.

Confrontos e intromissão das
Forças de prosas.
Desço do pedestal e concordo.
Ao exílio, insolentes,
Irão Clamar
Pelas mortalhas que dei a teus pais,
Pela união poética e pela
Concisão de minhas palavras e
De minhas éticas.

11.7.08

Prolixidade da vida - O adeus à hipocondria.

Poesia antiga, mas que se torna atual, pois toda vez que busco respostas olho para quem fui anos atrás.


Sentia que tinha uma força que regia todos os meus atos.
Sentia-me impotente perante ela.
Sentia que tudo era uma ilusão.
Sentia que a existência era uma mera confusão.

Milhares de "bits" perdidos tentando decifrar os mistérios do meu subconsciente.
Dezenas de horas acordado, perturbado pela falta do R.E.M. inconsciente.

Dores, mentiras que a psicanálise explica.
Queria sentir a sensação de ser pulsante.
Sentir o sangue revivendo em cada grande circulação e ser alvo de palpitação inconstante.
São desejos.
Desejos que a alma não calou, gritou.

Nunca saí da minha cadeira de rodas metafórica.
Sofria da hipocondria.
Nasci como o ser da discórdia.

Pois hoje, quero gritar para o tal Deus ouvir,
tudo o que desde o nascimento obstrui.

Dizer que quero sonhar.
Viver num universo paralelamente.
Quero cantar todas as lágrimas que chorei quando inocente.
Quero dizer que infelizmente vivo num mundo já existente.
E que as fábulas ficaram num passado que me lembrei recentemente.

8.7.08

Palavras para Lola.

Avisto de longe um mirante.
Em uma busca incessante por paz e congruência.

É uma máquina:
Função ser o anticorpo do meu hausto.
Leis, dogmas.
Certezas, inconsciência.

Como poderás entender?
Como saberás ver as antigas verdades que tu crias?
Mãe precoce, por força do destino.
Deus não ajudar-te-á.

E os sonhos prosseguem numa estrada de rosas.
O tormento não conseguiu achar-te em meio a confusão que causaste.
Genialidade fluida.
Austeridade contra as lamúrias.

Vai pra cozinha, mistura arroz com feijão.
E grita: "Eureca, uma nova invenção"

Eclética, parte para o Novo.
E lá encontra, um porto seguro para todas as batalhas.
E lá enxerta, uma raiz profunda, cravada na alma- coração dos que nunca avistaram a beleza épica .

Intelectual, genial.
Linda, fenomenal.

Faço-te uma rosa com minhas mãos
.E só te peço uma coisa:
Não prive-me de achar o teu olhar,
algo raro de se encontrar em meio essa plenitude/escuridão.

1.7.08

A miséria brasileira.

Como não consigo mais escrever poesias...
Vou postar as músicas que ando fazendo.

Vejo fome, desilusão.
Mártires catando alimento e mobília num típico lixão.
Anciãos, jovens promíscuos, dividindo pedaços fermentados de gordura.
Polidactilia, gânglios cerebelares em constante mutação.
Um açougue pós-modernista.
Aparência brutal, linhas cansadas de tanta expressão.

E assim, seguem um caminho à espera do chamado.
(Que Deus os leve)

E assim vão sofrer, utopicamente anseiando ao Paraíso em cada dia de morte.

Crucificados pelo bem do progresso, excomungados de sua fé.
Exonerados do convívio social, vistos como restos decadentes do passado.

Brasil, hoje olho pra ti;
Sem soletrar as quatro letras mágicas, eu me expresso.
Brasil, onde estão os humanos conceitos?
Enxergo pederastas, falcatruas, degenerações e defeitos!

Indignos até do inferno Dantesco;
Pra onde o vento leva o futuro do país?
A felicidade de uma gestação torna-se o pesar de seus genitores.
Desnutrição, ignorância, uma vida curta ao certo.
Eis aqui a batalha por sobrevivência de uma mãe e do seu infeliz feto:

A cruz será o destino.
Sem relevância se pecastes.
A omissão fez nascer uma coroa.
Jesus a carregou e agora tua vez, doce menino.

Fortalece o espírito, não és como Ele e sim um indigente.
Levanta-te e segue. Ruma para o céu, onde finalmente serás “gente”
E leva tua coroa, como teu pergaminho.
Diz aos infiéis, os teus sonhos e que onde agora são rosas antes fora espinhos.

20.6.08

Como falar de amor?

Como costumo postar coisas sentimentais, tais como poesias e blá blá blá, resolvi repensar minha vida - comparada com a palavra amor - .

Nasci, cresci, não me reproduzi, não morri.
Interessante pensar que um ciclo está incompleto
por acreditar que a sociedade medieval estava correta.
Até porque vemos, diariamente, que quase todos pensam deste jeito.
A meta, da maioria, é crescer, ganhar dinheiro, formar família e morrer dignamente.
Mas, quando pensamos que ao ser rico, onipotente, esquecemos do morrer "dignamente",
percebemos que a morte realmente é o fim.
Quando estamos velhos lembramos de nossas conquistas, da conta do banco, dos nossos filhos e netos, mas esquecemos do que é ser digno perante o fim dos tempos.

Como falar de amor, se este é contado como lucro?
Como falar de vida, se esta é temporal?

Não há como relacionar amor com vida sem pensar nos temas melancólicos das novelas mexicanas.
Mas, esta relação está correta, é utópica.
Viver tendo amor por alguém é uma prisão.
O espírito livre não pode ficar aprisionado numa relação longa.
A vida é atemporal, diferentemente do amor.
Espero um dia encontrar uma mulher que me diga aquelas baboseiras que os apaixonados falam, mas também espero que encontre outra que diga que eu sou filho da puta narcisista.
São opostos de mulheres, mas estas são congruentes quando penso que a mulher perfeita encontra-se no meio termo.

Viver sem amor, conseguimos.
Amor sem viver, não conseguimos.
Isto é lógica, mas não é interessante.

Hoje encontrei alguns amigos no posto.
Quando voltava pra casa vi um casal aos beijos, encostados num muro sujo.
Duas pessoas, extremamente, feias.
Acho até que a mulher não tinha dentes.
Mas, eles se agarravam, sarravam como esta fosse a última noite de suas vidas.
Talvez isto é o que falta para compreender esta relação idiota que estou fazendo.
O amor transcende o corpo.
E eu vou dormir, estou bêbado, mas feliz por saber que misturar anti-depressivo com alcóol não mata, pelo contrário, deixa-me vivo!
Até mais, Rique Farr Sunsa, foi um prazer lhe conhecer.

13.6.08

Fui até ele e disse:

- Toma a tua cruz, e deixa o milagre comigo
Mas ele não deu ouvidos
Então peguei a pá, a enxada, e enterrei sua cruz
- Deveria ter apanhado seus artefatos circenses antes de partir! - gritei
No boteco bebi vinho até o outro dia
Tão logo amanheceu e percebi o milagre aparecendo pra mim
Era a cruz enferrujada
Desenterrou-se e assentou-se novamente sobre a minha cabeça
Dei de ombros
Olhei para o céu com desdém
Caminhei até um lugar deserto, mantive-me calado por toda aquela manhã
Cavei até à noite
Enterrei a maldita bem fundo desta vez
E quando estive indo embora daquele túnel, o milagre se refez
Carcomida pesava agora a terra que a inundou
Não conseguia chegar até o topo
Via uma luz branca, e era a lua, parecia se aproximar, mas eu estava parado, enterrado

- Do teu destino não desertarás - ouvi
- O livre arbítrio é propaganda abusiva - repliquei

12.6.08

A bolha.

Os passos, cadenciados.

Os olhares, desconfiados.



- Vinde a mim, sou a salvação. - Grita um jovem profeta.

- Quem és tu que vociferas, herege? - Um revoltado senhor pergunta.

- Sou a sobrevivência da tua raça, do teu credo.

- Não tenho raça, demônio, não tenho credo.

O divino punirá suas insanidades!



Os passos, cadenciados.

Os olhares, desconfiados.



- O homossexualismo é uma doença.

A existência do homem é baseada na fecundação.

Deus não salvará um mundo homossexual. - Brada, ao centro da Terra, o profeta.

- Preconceituoso! Matem-o! - Grita uma voz na multidão.



Os passos, acelerados.

Os olhares, desconfiados.



As manchetes do dia:

" HOMOcídio!

Homem é morto ao pregar a heterossexualidade, ninguém foi preso".



O caos, a cidade.

O fim, a imoralidade.

9.6.08

Carta ao meu amor - O povo do interior.

Acabei de achar isso.
Hermeticamente está terrível, mas para a época acho que ficou bom.
22/09/2003.
Banana, se lembra deste tempo?

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Entre encontros e desencontros,
Na memória de um povo humilde,
Onde ter cultura é ser anti-social,
Onde ter dinheiro é sinal de felicidade,
Acho um lugar pra pensar.

Sobre momentos, sonhos.
Em todos os estrondos
Que causastes ao entrar sem bater.
Ao roubar parte da minha alma-coração
Levaste pra junto de ti, parte de minha indignação;
Contra um povo apalavrado, um povo ao qual tenho aversão.

Homens e mulheres comprometidos com o capitalismo.
Aqueles que nunca sequer diferenciaram o social do comunismo.

Humildade?
Só os tolos terão.

Cristandade?
Sinal de prosperidade econômica.

Humanidade?
Infelizmente, não é para todos, senão
Os reacionistas, a nata cultural dos grandes centros,
Os comprometidos com a razão filosófica do ser,
Sem ao menos oito anos de estudo ter.

E pessoas de uma cidade
Tornam-me bobo
Perante a falta de dignidade,
Perante a desistência na primeira dificuldade.

Mudanças?
Ilusões.

Esperança?
Uma pergunta que não cala, mas não traz soluções.

O povo do interior nasceu com o propósito
De ser inspiração para músicas de forró e escrachos de cultuação ao óscio.