18.1.09

Arquivo FMI

Ah, eu já nem me pergunto
Por que eu me acordo e tropeço no azulejo
Por que eu durmo tarde, pra acordar tão cedo

Essa ressaca é o que me mata
Passo o dia bêbado, de sono e de amor
E não saio de casa sozinho, senão eu me perco
Entre os carros e o sol, no rosto e no paletó
Eu me vejo tão preocupado com assuntos que não são meus

Ah como eu queria viajar, pra bem longe
A cada manhã que passa eu me esqueço
de pedir minhas contas e me ver sem emprego
Ah como eu queria te encontrar
em cada esquina, a cada mulher que passa eu te vejo

Ah já acabou meu cigarro
Quero tragar teu beijo

25.12.08

Lágrimas de felicidade

Durante algum tempo o tempo foi suficiente
Suficiente para se obter orgulho
Orgulho de quê?
O que houve?
Alguém ouviu o estrondo de tudo desabar
Desabou de repente tudo em cima de si
E se preocupou em viver algo realmente importante
Mas o que é real realmente não há nada construído que se possa tocar
Ninguém sabe explicar ou se mantém calado
O mundo gira de uma maneira que não deixe que possamos sentir
Talvez este seja o princípio de fazer com que não consigamos acreditar em nada
Hoje não há amanhã
Se houver vai chover
São apenas lágrimas
Como a chuva que um dia
Tornou-se um rio
Vi minha alegria transbordar
Na hora em que o rio ía para o mar

14.12.08

Vejo nos seus olhos
o quanto você sonha
Percebo que sozinha
você é ainda mais bonita
E eu morro de rir
vendo teu jeito bobo de falar o que sente
Teu jeito mistério e sincero
Combina com tua mão pequena
e o toque suave
Não sei dizer o quê
mas em você, um encanto..

2.12.08

de todas as certezas a mais importante: Eu não sou daqui!

Eu posso pressentir ela chegar
Não posso vê-la
Mas posso saber da tua presença pelo seu cheiro
Eu sei quando ela está
Eu conheço o teu silêncio
e até mesmo o som do eco quando está escuro
Ou mesmo quando há barulho
Ela está em toda parte
Me faz pensar em tudo que me deixa triste
Histórias mais antigas
Não tenho uma boa história velha
A novidade é uma só
Desaprendi chorar
Tenho medo de abrir o jornal
Ligo o rádio na minha estação preferida
E ouço um jovem que grita
Não parece poesia
E a voz é até mesmo irritante
Mas gosto do Rock inglês
Não me diz nada
E me lembra muita coisa
Estive pensando em tudo isso e em você
Meu medo: a música é nova
Do fogo às cinzas
Recomeça o desespero
Que já não queima
Que se tem combustível
Já não tem fagulha
Feito medicina
Acalma, cura, mata
E eu já não sinto dor
Mas o cheiro da ferida aberta
Minhas pernas dormentes
Não quero uma mão pra me tirar da solidão
Pois até gosto de saber que ela chegou e deixo se instalar
Mas alguém que possa chorar por mim
Que me empreste as lágrimas
Pra eu derramar sob dois olhos pares tristes esbugalhados
Que quando se olham: perdem o foco!

Viola, vida e morte

De um trem para o outro
Minha viola
7 horas
Um ataque no parque
E vai embora toda aquela dor

Um tom forte
Une-se ao uivo de um lobo, indiferente
Salto os primeiros muros impostos
Que delimitam a minha liberdade
Ingênua pretensão de ser livre

De um trem para o outro
Minha vida
7 horas
Um ataque no parque
E meu corpo transborda
Leveza, com ligeira felicidade

Exausto

Que esses sonhos sonhados numa noite de insônia sejam apenas sonhos.
Pois num passado próximo a realidade que me tirara o sono não tinha a tua mão.
E eu não podia ensaiar como fazê-la compreender que o que eu sinto é amor e não desespero.
Precisava que houvesse em você o mesmo sentimento.
E agora que já não sinto mais necessidade de provar nada a ninguém, nem a ti.
Estive esperando por uma oportunidade.
Como se fosse normal não dormir.
Como se estivesse acostumado a sofrer.
Como se fizesse parte da minha rotina esperar.
Para que num momento que nem precisava ser o certo.
Eu pudesse fazer com que se sinta amada por você ser você.
Eis que caí abruptamente sentado e exausto.
E foi justamente quando você tropeçou em mim de mãos dadas a outro rapaz.
Esperei tanto tempo pela tua felicidade.
Mas acredite: não sei lidar com o cotidiano.

25.11.08

A luz que resseca os olhos

Caos.
Imóveis, os fracos ficam.
Cegos, crédulos, mudos
Veneram uma luz que não faz sentido.

“Ó, Senhor, salve-nos”

Pálidos.
Marchando, os fracos fundem-se.
O rubro, a alma, as necessidades
Violadas pela aceitação da cristandade.

Uma única força,
Um único grito,
Um único desejo.

“Ó, Senhor, salve-nos”

Um abismo abre-se no meio da multidão.
Uma luz, uma única luz, emanada de uma fenda.
Os animais fogem, os homens se ajoelham.

“Ó, Senhor, salve-nos”

- Hoje, vocês morrerão.
Não irão para o novo mundo.
Não existe novo mundo.
Hoje, vocês morrerão.

“Ó, Senhor, salve-me”

Os homens correm em todas as direções.
Os animais retornam num único grupo.

“Ó, Senhor, não me mate”

Os animais sobrevivem, pois morreriam em grupo, todos juntos, uma única força.
A luz ressecou os olhos dos homens.
Primeiro uniram-se e depois se desuniram pela salvação.
Os animais fugiram e voltaram juntos.
Todos os homens morrem.

8.11.08

Rosa desbotada.

Depois de várias cervejas, uma dose de whyskie, dois anti-depressivos e um pouquinho de vômito:

Um dia conheci uma menina.
Olhava nos seus olhos e não via expressão.
Mórbida, fria. Escondia os sentimentos.
Infelizmente, me rendi a esta escrota paixão.

Faceira, desbotada, fascinante.
Esta rosa que aparece... E cresce vigorosa.
Ancorada por muralhas de espinhos... protege o coração.

Parava entre um beijo e outro.
Lambuzava minha orelha com sua saliva do inferno.
Dominadora! Escrota!

A vida não dá voltas.
Amanhã posso não estar mais aqui.
Mas, desta rosa que espinha...
... certamente, não vou mais sair.


Ps: Quem porra é esta rosa desbotada?

17.10.08

Depressão

Estar-se ausente,
Destruindo-se conceitos,
Vendo-se louco.
Merecedor da solidão.

Pensamentos descordenados,
Inglórias passadas,
Tornar-se o vazio.
Sorriso sem nenhuma expressão.

Selando o destino,
Inventando memórias,
Jorrando lágrimas;
sem nenhuma emoção.

Versos meus, versos seus, versos nossos.
Barreiras invioláveis,
Sentimento de perda.
Eis a hipérbole da depressão.